33.
“O tempo e o vento” (adaptado de Erico Verissimo)
“Era um fim de tarde parado, quente. O céu estava encoberto por nuvens que pareciam algodões sujos. No pátio, os cães dormiam à sombra dos cinamomos. Dona Bibiana sentou-se na cadeira de palhinha e fixou os olhos na estrada poeirenta. Esperava. Esperava como quem não tem mais nada a esperar.
O vento que surgira pela manhã se aquietara. A casa, velha e cheia de rangidos, parecia observar também a estrada, cúmplice silenciosa daquela espera interminável.
De repente, um vulto apareceu entre as árvores. Não era possível distinguir quem era. Mas a senhora não se moveu, nem piscou. Sentia o coração bater, vagaroso, mas firme.”
A presença do vento no início e sua ausência posterior contribui para: